Desabafo
Mais uma vez a Câmara Municipal de Montes Claros atenta contra a democracia e demonstra sua total subordinação ao Poder Executivo local, porém hoje foi estarrecedor. Além das costumeiras votações de projetos sem reais discussões e ponderações, com resultados que forem da vontade do Prefeito, que novamente mandou sua provocante claque, escrevo para relatar que na sessão do dia 20 de dezembro de 2011, de votação do projeto de lei 208/2011, que dispõe sobre o meio-passe, sofri uma provocação por parte de determinado sujeito (o qual parece mexer com música eletrônica), que já me provocou em outras sessões e que me provocou na citada sessão dizendo que sou uma vergonha para a instituição na qual trabalho. Após ter ouvido tal provocação, me dirigi a um guarda municipal para que ele tomasse providências contra tal sujeito, momento em que o Presidente da Câmara ordenou que o sujeito e eu fôssemos convidados a nos retirar do recinto. Eu fiquei ao lado do guarda esperando a chegada de um policial militar, quando o sujeito estava saindo sorrateiramente. Ele foi atalhado e o policial militar nos chamou para conversamos em frente à Câmara para esclarecer o que havia acontecido. Relatei o ocorrido e ficou acertado que os dois não retornariam a adentrar na Casa Legislativa. Eu queria ter feito um boletim de ocorrência, mas não houve a lavratura do mesmo. Não sei se constará da ata da sessão menção ao acontecimento. De toda forma, sinto obrigação de divulgar o fato para que seja de conhecimento geral e assevero que é decepcionante assistir ao contínuo derribe da democracia em Montes Claros, ainda mais tendo um direito importantíssimo injustamente tolhido. Não tenho o que temer, pois não tenho qualquer interesse político-partidário e nada que me desabone. Fiquei extremamente irritado em ter que me retirar da Câmara, pois queria assistir à sessão até o final, mesmo já sabendo de antemão qual seria o resultado da votação e achei, num primeiro momento, humilhante a ordem a mim imposta. Todavia, ponderando com mais calma e sobriedade, digo claramente que se houve alguma humilhação, foi a humilhação do Prefeito sobre os Vereadores e a humilhação dos próprios Vereadores sobre a instituição da Câmara Municipal. Se houve ordem de me retirar, é porque não desejam a minha presença, já que prezo pela clara exposição de ideias, com debates dentro da realidade e com apego à boa legislação, diferentemente da atual Câmara Municipal, onde a Lei Orgânica não possui o menor Valor e o Regimento Interno é interpretado sempre em favor da claque municipal. Tudo naquela Casa é "a toque de caixa", sendo a maioria dos discursos e votações enfadonhos, fantasiosos, vergonhosos e debochantes para um órgão que tem como tarefas precípuas legislar e fiscalizar. É tarefa difícil querer ver a administração pública em Montes Claros trabalhar com seriedade para o verdadeiro bem do povo. Hoje a chateação foi muita, mas ainda não o bastante para arrefecer meu ânimo de participar na caminhada contra os desvarios da atual administração pública montesclarense.
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